Como analisar um cronograma por área e disciplina usando o Primavera P6
Um mesmo cronograma pode apresentar diferentes perspectivas
Em uma obra industrial, cada parte interessada precisa visualizar o cronograma de uma maneira diferente.
O gerente do empreendimento pode querer analisar o avanço por área. A equipe de construção pode precisar acompanhar as frentes por subárea. Já os coordenadores técnicos podem ter interesse em visualizar todas as atividades de sua disciplina.
O Primavera P6 permite criar essas diferentes perspectivas por meio dos Activity Codes e dos recursos de agrupamento.
Assim, o cronograma mantém sua estrutura original, mas pode ser reorganizado visualmente para responder às necessidades de cada reunião ou análise.
A EAP não precisa ser a única forma de visualizar o projeto
A EAP é fundamental para organizar o escopo do empreendimento. Entretanto, ela não precisa ser a única estrutura utilizada para visualizar o cronograma.
Depois que as atividades recebem códigos de área, subárea e disciplina, o planejador pode alterar temporariamente o agrupamento do layout.
Em vez de enxergar as atividades apenas pela EAP, ele pode organizar o cronograma por:
- Área
- Disciplina
- Área e disciplina
- Área e subárea
- Responsável
- Pacote de trabalho
- Sistema operacional
Essa flexibilidade está entre os grandes benefícios do uso adequado das Ferramentas do Planejamento de Obras.
Como visualizar o cronograma por área
Ao configurar o agrupamento por área, todas as atividades classificadas com o mesmo código passam a aparecer juntas.
O planejador pode visualizar, por exemplo, todas as atividades relacionadas a:
- Estação de bombeamento
- Sala elétrica
- Área de utilidades
- Prédio administrativo
- Pátio de armazenamento
Essa visão permite avaliar o andamento global de cada região física do empreendimento.
Também facilita a identificação de áreas com grande concentração de atividades, restrições ou atrasos.
Como identificar atividades sem classificação
Quando uma atividade não possui o código utilizado no agrupamento, ela aparece separada das demais.
Essa é uma forma prática de realizar uma auditoria de qualidade no cronograma.
Se o projeto está agrupado por área e determinadas atividades aparecem sem classificação, o planejador poderá verificar se:
- O código não foi atribuído
- Uma nova área precisa ser criada
- A atividade está posicionada no pacote incorreto
- Existe alguma inconsistência na estrutura
A análise dos itens não classificados ajuda a evitar lacunas que poderiam comprometer relatórios e indicadores.
Como visualizar o cronograma por disciplina
Também é possível remover o agrupamento por área e organizar as atividades apenas pela disciplina.
Nesse formato, todas as atividades classificadas como estrutura metálica, por exemplo, serão apresentadas juntas, mesmo que pertençam a diferentes áreas.
O cronograma pode ser dividido em grupos como:
- Civil
- Estrutura metálica
- Mecânica
- Tubulação
- Elétrica
- Instrumentação
- Comissionamento
Essa perspectiva ajuda os responsáveis técnicos a acompanhar sua carteira completa de atividades em todo o projeto.
Um coordenador de elétrica consegue visualizar, em um único grupo, serviços da sala elétrica, da estação de bombeamento e de outras áreas do empreendimento.
Como combinar área e disciplina
O Primavera P6 também permite trabalhar com mais de um nível de agrupamento.
O cronograma pode ser organizado primeiro por área e, dentro de cada área, por disciplina.
Essa visão responde simultaneamente a duas perguntas:
- Em qual área a atividade será executada?
- Qual disciplina é responsável por ela?
Uma estrutura ilustrativa poderia ser:
- Estação de bombeamento
- Civil
- Estrutura metálica
- Mecânica
- Tubulação
- Sala elétrica
- Civil
- Elétrica
- Instrumentação
Essa visualização facilita análises de interfaces e ajuda a identificar quais disciplinas ainda precisam concluir seus serviços para liberar a próxima etapa.
Quais análises podem ser realizadas?
Depois de organizar o cronograma por códigos, o profissional pode extrair informações mais direcionadas.
Entre as análises possíveis estão:
Avanço por área
Permite identificar quais regiões do empreendimento estão avançando conforme o previsto e quais apresentam maior risco de atraso.
Avanço por disciplina
Ajuda a comparar o desempenho das equipes civis, mecânicas, elétricas e de montagem.
Concentração de atividades
Mostra períodos em que determinada área ou disciplina possui grande quantidade de serviços programados.
Interfaces construtivas
Permite avaliar dependências entre disciplinas e identificar possíveis conflitos de execução.
Liberação de frentes
Ajuda a compreender quais atividades precisam ser concluídas antes da entrada de novas equipes.
Priorização de recursos
Possibilita direcionar equipes, equipamentos e supervisão para as áreas mais críticas.
Essas análises tornam o cronograma mais relevante para a tomada de decisão.
Como voltar à estrutura original
A alteração do agrupamento não elimina nem modifica a EAP.
Depois de concluir uma análise por área ou disciplina, o planejador pode retornar ao agrupamento original por WBS.
Essa característica permite criar diferentes layouts para diferentes finalidades.
Uma empresa pode manter, por exemplo:
- Layout executivo por EAP
- Layout por área
- Layout por disciplina
- Layout de atividades críticas
- Layout de comissionamento
- Layout de acompanhamento semanal
Cada layout pode apresentar filtros, colunas e agrupamentos específicos.
Por que essa capacidade é tão importante?
Cronogramas industriais podem possuir milhares de atividades.
Sem códigos e layouts bem estruturados, o profissional pode gastar muito tempo procurando informações ou preparando relatórios manualmente.
Com uma boa classificação, o Primavera P6 passa a funcionar como uma base de dados do planejamento.
As atividades podem ser reorganizadas de acordo com o objetivo da análise, mantendo consistência entre as diferentes visões.
Isso contribui para:
- Redução do trabalho manual
- Maior padronização dos relatórios
- Melhor comunicação entre as equipes
- Rapidez nas reuniões de acompanhamento
- Maior confiabilidade das informações
- Tomadas de decisão mais fundamentadas
O risco de utilizar códigos sem padronização
Para que as análises funcionem, os códigos precisam ser aplicados de maneira consistente.
Erros de preenchimento podem dividir atividades que deveriam estar no mesmo grupo ou incluir atividades em classificações incorretas.
Por isso, é recomendável estabelecer:
- Padrão de nomenclatura
- Responsável pela criação dos códigos
- Regras de utilização
- Rotina de conferência
- Layout de auditoria
- Procedimento para inclusão de novos valores
O profissional também deve verificar se todas as atividades relevantes receberam os códigos necessários antes de gerar relatórios.
Um Treinamento P6 precisa ensinar análise, não apenas comandos
Saber onde está o recurso de agrupamento é importante. Porém, o principal diferencial está em compreender como utilizá-lo para analisar a obra.
Um Treinamento P6 aplicado deve ajudar o profissional a entender:
- Quais códigos criar
- Como relacioná-los à estratégia do projeto
- Como classificá-los
- Como auditar o preenchimento
- Como construir layouts
- Como interpretar as informações
- Como apresentar os resultados para a gestão
Essa capacidade é especialmente importante para engenheiros e analistas que atuam com P6 em Obras Industriais.
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